fiado só amanhã

Montando um quebra-cabeça sem ter todas as peças…

Um pouco sobre teoria das redes. Parte 2

leave a comment »

Vamos ver um exemplo bem prático retirado do excelente The Origin of Wealth. Tenho certeza que vocês já foram impactados pelo que vou descrever abaixo. Eu fui, várias e várias vezes…

Imagina que você esteja abrindo uma empresa com apenas dois departamentos: desenvolvimento de produtos e marketing. Cada departamento é um nó, e vários departamentos formam uma rede, que é a empresa. Você é responsável pelo desenvolvimento de produtos e quer criar um novo serviço. Você se reúne com a equipe de marketing e concordam em lançar esse serviço no mercado. Simples assim. Esse serviço torna-se um sucesso. A empresa começa a crescer e você decide criar um departamento financeiro e um de atendimento ao cliente. Entretanto, como pode acontecer em novas empresas, as coisas ainda estão um pouco desorganizadas e nenhum departamento fala um com o outro, apenas com você.

Agora você tem uma idéia para lançar um segundo serviço, marca uma reunião com marketing, finanças e atendimento ao cliente para assegurar que tudo dê certo. Está um pouco mais complexo que antes. O número de reuniões foi de uma no primeiro serviço para três nesse segundo serviço.

Vamos dizer que você se canse de ser o centro de tomada de decisões da empresa e informa aos responsáveis pelos outros três departamentos que eles devem conversar entre si, compartilhar informações e se coordenarem. Logo os emails começarão a pipocar e as salas de reuniões estarão sempre cheias. A iniciativa deu certo!

Você tem uma terceira idéia sobre um novo produto mas algo estranho acontece. Você tem a reunião normal com a equipe de marketing mas agora antes de conseguir o ok desse departamento, a equipe informa que precisa verificar o impacto no orçamento da área, o qual foi aprovado pelo financeiro. A equipe do financeiro informa que não pode aprovar esse terceiro projeto até conseguir uma estimativa da área de atendimento ao cliente referente aos custos do suporte adicional a esse novo serviço. A equipe de atendimento ao cliente diz tem que verificar com marketing se o que eles querem fazer está tudo de acordo com a estratégia de marca e preço da empresa. Complicou. Antes, decisões que eram tomadas em três reuniões agora necessitam de dez (se todos as possibilidades ocorrerem).

Isso acontece porquê aumentou a densidade das comunicações entre os nós. Agora imagine se a empresa continuar a crescer e a regra de todos conversarem com todos for mantida. Se você adicionar mais um nó, por exemplo o departamento jurídico, o número de reuniões possíveis pula para 25! Com as melhores intenções possíveis (querer que a empresa cresça e que tenha uma comunicação melhor) você criou um pesadelo burocrático.

As decisões tomadas em uma reunião tornaram-se tão interligadas uma nas outras que uma pequena mudança em alguma delas gera um efeito cascata por toda a empresa. Se você quiser introduzir um novo produto, o marketing necessitará de mais verbas, que precisará da aprovação do financeiro, que por sua vez irá requisitar estimativas de custo ao atendimento ao cliente, e o mesmo pedirá para que o produto seja simplificado a fim de facilitar o suporte.

Da mesma forma, atrasos em uma área podem causar congestionamento na empresa. Por exemplo, o jurídico pode demorar na análise do novo produto, o que significa que o marketing não poderá finalizar o orçamento, o financeiro não terá estimativas do atendimento ao cliente e esse não saberá quantas pessoas poderá contratar, etc.

Esse tipo de interdependência dentro da rede (empresa) cria o que Stuart Kauffman chama de complexity catastrophe. Isso ajuda a explicar o porquê a burocracia cresce como uma praga. Muitas empresas fazem de tudo para não criá-la e depois de algum tempo verificam que simplesmente não têm como evitar. Não acredito que alguém fique bolando um plano malígno para criar mais burocracia (ok, talvez alguém em Brasília esteja fazendo isso nesse exato momento! ;)). Acontece que as áreas tentam otimizar sua parte na rede: o financeiro quer ficar dentro do orçamento, o jurídico tenta nos manter livres de encrencas, marketing busca promover a empresa, etc.

O problema em si não é culpa de pessoas idiotas ou com más intenções. O crescimento da rede (empresa) cria interdependências entre os departamentos e pessoas, o que gera conflitos, que por sua vez deixam a tomada de decisões mais lenta e por fim, emperra tudo.

Fonte: theprofessionalismblog.com

Imagine como deve ser a interdependência dentro de um governo! O resultado a gente já conhece…

Ficou um pouco mais claro o que significa teoria das redes ? É um assunto bem legal justamente porquê explica muitas das coisas que observamos por aí todo dia.

Na terceira parte pretendo explicar como essa teoria é aplicada na biologia, que de longe na minha opinião é a aplicação mais legal.

Espero que vocês comentem, perguntem, discordem e também apontem eventuais erros. Thnksbye

Anúncios

Written by luizrobertsilva

25/08/2012 at 9:06

Publicado em Uncategorized

Um pouco sobre teoria das redes. Parte 1

leave a comment »

Existe uma assunto que há um bom tempo vem me deixando bem curioso e empolgado, devido à sua aplicação prática em muitas das coisas que fazemos. É a tal da teoria das redes.

No início de 2012, em um curso de design thinking, tive contato com Caio Vassao, que é um consultor e pesquisador sobre temas como complexidade, urbanidade, tecnologia e sustentabilidade. Ele explicou muita coisa interessante sobre essa teoria. Eu já tinha um conhecimento legal mas resolvi estudar um pouco mais a fundo. Agora, estou em um trabalho justamente lidando com essa teoria, verificando os impactos gerados quando um ponto em uma rede gigantesca é alterado. Acredito ser o momento certo pra compartilhar um pouco do que aprendi.

O assunto é super complexo mas vou tentar passar a idéia numa linguagem bem informal. Se tiver algum especialista lendo isso, aceito imensamente qualquer feedback.

Não falo aqui especificamente de redes de computadores, embora a teoria se aplica muito bem a esse assunto também. Falo de uma forma muito mais abrangente, que envolve vários domínios como biologia, negócios, pessoas e todo tipo de coisa que tenha relacionamento com outras coisas. Existem vários ramos do conhecimento, principalmente a matemática, que há muitos anos vem estudando essa questão.

O aspecto mais básico de uma rede, é a ligação entre dois pontos. Cada ponto é conhecido como “nó”. Existem vários tipos de redes mais simples com um único nó ligando todos os outros até outras mais complexas, onde um nó se conecta com vários outros nós:

Fonte: http://caiovassao.com.br/2008/09/24/ecologias-de-interacao-2/

Acontece que a tendência de uma rede é se expandir, com outros nós sendo adicionados. É aí que começa a complexidade.

Existe um livro muito bom, embora longo e um tanto quanto complicado, que terminei de ler há alguns meses, chamado The Origin of Wealth, onde o autor Eric Beinhocker trata da evolução da economia e geração de riqueza através de sistemas complexos, ciência, biologia, sociologia e várias outras abordagens (esse livro vai servir de base para muitos outros artigos desse blog). Tem um trecho falando justamente da teoria das redes, através do trabalho de Stuart Kaufman, que é um biólogo que estuda a teoria dos sistemas complexos e trabalhou com uma equipe no Santa Fe Institute buscando identificar os relacionamentos nas redes mais complexas:

Uma das descobertas advém da simples observação que se uma rede tem em média mais de um nó por conexão, conforme o número de nós aumenta, o número de conexões crescerá exponencialmente. Isso significa que o número de interdependências cresce mais rapidamente que a rede em si. Aqui o problema começa. Com o número de interdependências aumentando, mudanças em uma parte da rede são mais prováveis de gerar efeitos cascata em outras partes. Conforme esse efeito aumenta, a probabilidade de uma mudança positiva em uma parte da rede gerar um efeito negativo em um outro lugar também aumenta.

Parece complicado, não? Pretendo mostrar na continuação desse artigo exemplos bem práticos de como isso funciona em coisas do dia a dia, além de indicar também algumas fontes bem bacanas para quem quiser saber mais.

Written by luizrobertsilva

19/08/2012 at 20:07

Publicado em Uncategorized

Eu não queria comprar, mas…

leave a comment »

Já pararam para pensar o quanto de nossas decisões de compra são influenciadas por truques usados pelas empresas? Pois é, é isso que fala o novo livro do consultor Martin Lindstrom, Brandwashed.

Conheci o trabalho desse cara numa matéria da Época Negócios em 2009, que falava sobre como algumas descobertas no campo da neurociência desafiavam a lógica da economia tradicional.

Depois li o excelente Buyology (tem versão em português), onde ele detalha nossas decisões de compra segundo estudos de neuromarketing. Tem uma resenha bem legal aqui.

Em seguida terminei Brand Sense, que explica como os nossos cinco sentidos influenciam nossas tomadas de decisões e como as empresas usam esse conceito para vender mais (ah, vi a “versão brasileira Herbert Richers” 😉 na Livraria Cultura semana passada).

Agora em Brandwashed, Lindstrom nos mostra como as empresas usam truques um tanto quanto sujos para influenciar nossas decisões. Segue uma pequena parte da matéria da Época Negócios desse mês :

Depois de explicar o uso da neurociência no mundo da publicidade em Buyology, e entrar na lista da revista Time das 100 pessoas mais influentes do mundo, Lindstrom ressurge com uma nova persona literária. Sai de cena o guru do branding. Entra o marqueteiro arrependido, disposto a apontar um dedo, por exemplo, para fabricantes de produtos que, literalmente, viciam. Doritos e Red Bull, claro. Mas até protetores labiais. “Quantas vezes por dia você aplica essa coisa grudenta? Cinco? Dez? Vinte e cinco?” pergunta Lindstrom. “A menos que viva no Ártico, não é possível que seus lábios estejam tão rachados que você precise reaplicar de hora em hora.” Há pelo menos dois culpados pelo vício. O mentol, “um ingrediente não essencial adicionado a muitas marcas de gloss, [que] embora não seja perigoso por si só, pode ser um formador de hábito”, e o fenol, “um ácido carbólico que pode na verdade ressecar nossos lábios ao interferir na habilidade natural das células da pele de produzir sua própria umidade”. Em outras palavras, “quanto mais protetor labial você usa, mais precisa usar”.

Quem estiver com o inglês em dia, pode ouvir esses dois podcasts da rádio Kera, onde ele fala um pouco mais sobre os livros Buyology e Brandwashed:  Truth and Lies about Why We BuyMarketing and Manipulation.

Written by luizrobertsilva

12/10/2011 at 10:45

Publicado em Uncategorized

O fim da Malária

leave a comment »

Acabei de ler o livro The End of Malaria que tem um causa bem justa: doar parte do seu valor para a busca do fim da malária. O valor mínimo de US$ 20,00 (esse é o preço na Amazon) será inteiramente doado para a organização Malaria no More que pretende acabar com as mortes relacionadas à doença na África até 2015. Não sei se eles vão conseguir, por que é um trabalho gigantesco.

O livro é basicamente uma compilação de ensaios bem legais sobre foco, coragem e resiliência de mais de 50 escritores e pensadores, como Seth Godin, Nicholas Carr, Roger Martin

O que me deixou bem impressionado foi saber que um simples mosquiteiro é a melhor forma de prevenção contra o mosquito que transmite a doença, já que não existe vacina ainda, embora alguma esperança esteja surgindo aqui e ali.

No Brasil 98% dos casos ocorrem na Amazônia. A doença, tratável, mata mais de 1 milhão de pessoas por ano no mundo.

http://endmalariaday.com/

Written by luizrobertsilva

12/10/2011 at 8:53

Publicado em Uncategorized

Argentina: um dos dez países mais ricos do mundo – fim

leave a comment »

Chegamos ao fim da história da decadência da economia Argentina:

Quando o novo peso convertible (começou a circular em 1992, através da chamada Lei de Conversibilidade, que estabelecia a paridade com o dólar norte-americano na proporção de 1 por 1) foi introduzido, era a sexta moeda argentina no espeço de um século.  Mas essa busca também terminou em fracasso. É verdade que a inflação foi zerada e ficou negativa em 1999. Mas o desemprego se mantinha em 15% e a desigualdade de renda estava apenas marginalmente melhor que a Nigéria.

Em resumo, a despeito da estabilização da moeda e até mesmo do corte na inflação, essa política fracassou  pois não consegui mudar as subjacentes tendências sociais e institucionais, que já tinham causado tantas crises monetárias no passado. O palco foi montado e arrumado para outro calote argentino, e mais outra moeda.

Depois de dois empréstimos em 2001, em janeiro (US$ 15 bilhões) e em maio (US$ 8 bilhões), o FMI desistiu de fazer um terceiro empréstimo. No dia 23 de dezembro, no final de um ano que a renda per capita declinou 12%, o governo anuunciou uma moratória da totalidade da sua dívida externa, incluindo títulos no valor de US$ 81 bilhões: em termos nomimais, o maior calote da história.

Eu aprendi e espero ter ensinado a vocês um pouco mais sobre história da economia com um exemplo de um país que conhecemos muito bem. Durante todos esses posts, foi possível traçar um paralelo entre o passado e o presente da América do Sul em particular e ver em quão boa situação o Brasil se encontra, a despeito dos problemas que ainda temos que resolver.

Também acredito e acho importante notar que e economia de um país é a base de todo o resto que precisa evoluir.  Como foi dito na campanha de Bill Clinton em 1992: é a economia, estúpido!

Written by luizrobertsilva

19/02/2010 at 8:00

Publicado em Uncategorized

Tagged with ,

Argentina: um dos dez países mais ricos do mundo pt. 6

leave a comment »

Como no post anterior, é possível ver alguns dos problemas que aconteceram na Argentina no passado acontecerem agora na Venezuela. Não é intenção desse post criticar países, mas é impossível deixar de notar a grande semelhança entre o passado e o presente de alguns países da América do Sul. Fiz um link do que está descrito abaixo com a atual Venezuela.

Em fevereiro de 1989, a Argentina estava vivendo um dos verões mais quentes registrados em sua história. O sistema elétrico de Buenos Aires lutava pra funcionar. As pessoas se acostumavam às cinco horas de corte diário de energia. Os bancos e as casas de câmbio receberam ordem para fechar, porque o governo estava tentando impedir o colapso da taxa de câmbio da moeda. Em um mês, o austral (a moeda argentina de 1985 a 1990) caiu 140% em relação ao dólar. Ao mesmo tempo o Banco Mundial congelou os empréstimos para a Argentina.

Havia apenas uma opção para o governo desesperado: a máquina impressora. Mas até isso fracassou. Numa sexta-eira, 28 de fevereiro, a Argentina ficou literalmente sem dinheiro. “É um problema material, físico”, disse o vice-presidente do Banco Central, numa entrevista à imprensa. A Casa da Moeda simplesmente ficou sem papel e os impressores entraram em greve.

Em junho, o índice de inflação mensal subindo a mais de 100%, a frustração popular chegou ao ponto de ebulição. Já em abril, os fregueses de um supermercado em Buenos Aires tinham virado as bancadas cheias de produtos depois que a gerência anunciou pelo alto-falante que todos so preços aumentariam 30% naquele exato momento. Durante dois dias de junho, houve protestos da população, com saques, destruições e a morte de 14 pessoas.

Como diz aquele ditado: aqueles que não aprendem com a história estão condenados a repetí-la.

Continua…

Written by luizrobertsilva

17/02/2010 at 8:00

Publicado em Uncategorized

Tagged with , ,

Argentina: um dos dez países mais ricos do mundo pt. 5

leave a comment »

É interessante notar nesse post algumas tendências sociais e institucionais tão presentes na América do Sul, o que acredito fortemente, assim como o autor, que sejam (apenas algumas) das explicações para a lenta evolução dos países do continente. Hoje é possível ver algo do tipo acontecendo claramente na Venezuela, não sendo o resultado necessariamente o mesmo, mas o caminho sendo traçado de forma semelhante.

A oligarquia do país tentou basear a economia do país nas exportações agrícolas para o mundo de fala inglesa, um modelo que fracassou na Grande Depressão. A imigração em larga escala (como na América do Norte) sem a disponibilização dea terra ocupada pela agricultura para o estabelecimento de novos povoamentos, criou uma classe trabalhadora urbana desproporcional que era altamente suscetível à mobilização populista.

Repetidas intervenções militares na política, começando com o o golpe de 1930, pavimentou o caminho para um novo típo de política quase fascista, que pareceu oferecer algo para todos: melhores salários e melhores condições para os trabalhadores e tarifas protecionistas para os industriais. Em 1966, outro golpe militar prometeu uma modernização tecnológica, mas em vez disso, ofereceu outra desvalorização da moeda e uma inflação ainda mais alta. Ainda, no começo dos anos 80, a Argentina entrou em guerra contra a Grã-Bretanha pela posse das ilhas Malvinas.

O que tornou a inflação Argentina tão inadministrável foi a constelação de forças sociais: os oligarcas, os caudilhos, os interesses dos grupos produtivos e os sindicatos, não esquecendo as subclasses empobrecidas. Não havia qualquer grupo significativo interessado na estabilização dos preços.  Os donos do capital estavam atraídos pela desvalorização e os donos do trabalhismo se acostumaram com a espiral dos preços e de salários.

Continua…

Written by luizrobertsilva

15/02/2010 at 6:00

Publicado em Uncategorized

Tagged with ,